Un antigo novo modo de vida…

Publicado: Sábado, 01 Agosto 2020
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Quando os apóstolos são libertados de uma de suas primeiras prisões, o mensageiro da parte de Deus lhes diz: Vão e anunciem tudo o que se refere a este novo modo de vida (Atos 5, 20). Para a primeira comunidade, o cristianismo era isso: um novo modo de vida. Isso é ilustrado assim: Todos se reuniam regularmente para ouvir o ensinamento dos apóstolos e participar na vida comum, no partir do pão e nas orações. Um santo temor se apoderou de todos eles, porque os apóstolos realizavam muitos prodígios e sinais. Todos os crentes se mantinham unidos e punham as suas coisas em comum: vendiam suas propriedades e seus bens e distribuíam o dinheiro entre eles, de acordo com as necessidades de cada um. Profundamente unidos, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e comiam juntos com alegria e simplicidade de coração; louvavam a Deus e eram queridos por todo o povo. E cada dia o Senhor aumentava a comunidade com aqueles que seriam salvos (Atos 2, 42-47). Além da idealização, a convicção apostólica era que o evangelho se transmitia pela pregação, mas o que convencia era o testemunho do estilo de vida. Este é o próprio fundamento do cristianismo sem todo o floreio do tempo, dos dogmas, dos cânones, das liturgias e planos pastorais...

A 36ª Congregação Geral retoma essa intuição ao falar de Vida e Missão; não mais de identidade e missão. E no Decreto n.1, depois de descrever o mundo com suas luzes e sombras, e apontar nossa missão de reconciliação e justiça, o primeiro que faz é falar da necessidade de uma comunidade de discernimento com horizontes abertos. Não fala primeiro do que deve ser feito, das obras apostólicas (disso ela falará adiante). Fala de comunidade, de vida em comum, de um modo de vida. Comunidades encarnadas em real proximidade com os pobres, discernindo a missão e testemunhando o amor de Deus, sendo, por isso, ela mesma missão. A Missão está intimamente ligada a ´este novo modo de vida´.

Talvez, neste processo de revisão do PAC e preparação do PAC2, devamos refletir um pouco mais sobre isso. As comunidades jesuítas são chamadas a ser ´lares do Reino´" (Decreto n.1, 13), e as obras apostólicas devem ser comunidades de vida e discernimento para anunciar o Reino. Este processo ocorre também em tempos de pandemia que põem em xeque a ´velha normalidade´, ou seja, o antigo modo de vida. Tendemos a repetir isso olhando para fora - essa ordem mundial injusta e iniqua -, mas deveríamos do mesmo modo dizê-lo a nós mesmos: nossa antiga normalidade comunitária e apostólica não deveria também ser repensada?

Nestes tempos de isolamento, os jesuítas temos revalorizado a vida comunitária. Seria bom aprofundar: que temos aprendido? E quem têm sido nossos mestres? Particularmente creio que deveríamos olhar uma vez mais para os nossos mestres principais: os pobres. Nestes meses, tenho visto gente muito pobre partilhar o pouco que tinha em sopas populares e comedores de bairro. Gente mais velha arriscando sua vida para cozinhar para que outras famílias pudessem comer, pequenos comerciantes dando a sua própria mercadoria para que as famílias mais pobres do bairro pudessem comer, mulheres mães que, apesar de passar necessidade, diziam: ´Padre, a cesta básica de comida que ia me dar, dê àquela família que tem quatro filhos e não tem nada´. Ressoa o ´novo modo de vida´.

O que diz esse ´novo modo de vida´ a nossas redes apostólicas nas quais colaboramos leigos, leigos e jesuítas? Creio que deveriam ser mais comunidades de discernimento que estruturas de planejamento, e mais que uma agenda, deveriam ter um itinerário espiritual do qual surjam opções mais evangélicas; deveriam nutrir uma espiritualidade da qual emerjam iniciativas marcadas pela criatividade do Espírito que não se deixa vencer em imaginação. Talvez, digo, nossas redes deveriam ser mais comunidades de aprendizagem, de partilha, de discernimento. Espaços onde, sem tanta agenda, pudéssemos orar mais juntos e, com esse espírito, ouvir ´o que o Espírito diz às igrejas´. Mais do que nunca, é atual o ´Canto do cisne´ do P. Arrupe: Direi mais uma coisa, e por favor não o esqueçam. Rezem. Rezem muito. Os esforços humanos não resolvem problemas como estes. Estou lhes dizendo coisas que quero enfatizar, uma mensagem - talvez essa seja o meu último canto para a Companhia. Nós rezamos no começo e no final, somos bons cristãos! Mas nossas reuniões de três dias, se passarmos metade do dia em oração sobre as conclusões que esperamos encontrar ou sobre nossos pontos de vista, teremos ´luzes´ muito diferentes. E chegaremos a sínteses muito distintas - apesar dos diferentes pontos de vista - pontos que nunca poderíamos encontrar nos livros ou alcançar através da discussão.

As estruturas deste mundo injusto serão transformadas se os corações forem transformados. E nessa transformação Deus costuma trabalhar por força da palavra e das obras, mas sobretudo com a força irresistível do exemplo. Por isso, em tempos de ´nova normalidade´, o envio sempre antigo e sempre novo permanece para nós, Corpo Apostólico da América Latina e do Caribe: Vão e ensinem tudo o que se refere a este novo modo de vida.

 

Rafael Velasco, SJ

Provincial de Argentina-Uruguai

 

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