Um planejamento nascido da contemplação

Publicado: Terça, 01 Outubro 2019
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Por: Ignacio Suñol, S.J.

Provincial de Bolivia

 

A Província da Bolívia iniciou a etapa de execução de seu Plano Apostólico Provincial, concretizada com base num trabalho para o qual se procurou garantir uma ampla participação, tanto dos membros da Província como das pessoas que compartilham conosco a responsabilidade da missão. Na carta de aprovação do referido Plano (BOL 19/02), o P. Geral Arturo Sosa nos disse que em seu processo de elaboração, foi feita uma séria reflexão metodológica, na qual se ponderou o tipo de plano apostólico mais conveniente para a Província, mas também qual seria o processo de trabalho que mais ajudaria em sua formulação, tendo escolhido um modo de trabalho que privilegiasse a atitude de discernimento espiritual o mais comunitário possível.

No Plano Apostólico Provincial, definimos três prioridades, sendo duas ad extra (Juventude e Casa Comum) e outra ad intra (Cuidado do Corpo Apostólico) com especial necessidade de trabalhar nossas comunidades religiosas jesuítas, sem esquecer o fortalecimento e acompanhamento das equipes inseridas em nossa missão. Ao cabo de poucas semanas, a Companhia de Jesus, após um longo período de discernimento, promulgou suas quatro Preferências Apostólicas Universais, três das quais coincidiram com nossas prioridades. Uma Consulta Ampliada com Superiores e Coordenadores de Área decidiu articular-se com a primeira delas, mostrar Deus mediante os Exercícios Espirituais e o discernimento, modificando o organograma proposto e estabelecendo novas linhas geradoras. Essa primeira Preferência Apostólica Universal é a estrutura fundamental de onde brota nosso compromisso pela fé e a justiça que anima o serviço aos pobres e vulneráveis, que orienta o acompanhamento da juventude e sua vertente vocacional, e dinamiza o cuidado da criação a partir de uma contemplação para alcançar o amor em tudo.

Ajudou-nos e confortou-nos muito iniciar o processo contemplando, observando a redondeza da terra, nosso contexto mais próximo, nossa história recente, as luzes e as sombras, embora tenha sido um começo difícil, mas bastante substancial e proveitoso: reiniciar a periodicidade das reuniões comunitárias, redescobrir que era possível encontrar-nos para conversar sobre nossas coisas e nossos estados de ânimo, que participar era um sim, quero e um podemos coletivo muito importante, de modo que foram deixados na vala muitos desânimos, não todos, mas as mochilas pouco a pouco se carregaram de esperança. Planejamos, desculpe, contemplamos a partir da comunidade, célula básica do corpo da Companhia, cada um e comunitariamente, não a partir do especialista.

A partir de nossas reflexões comunitárias, concordamos com três prioridades nascidas da escuta do Espírito e aquelas já formuladas no tempo presente como aquilo a que realmente queremos chegar a ser: preocupamo-nos com a Casa Comum, acompanhamos os jovens em seus próprios processos e cuidamos do corpo apostólico, transversalizando, repito, a primeira das Prioridades Apostólicas Universais: mostrando Deus através dos Exercícios Espirituais e do discernimento.

Até agora temos nos caracterizado como uma Província pequena e temos chegado a nos conscientizar como tal, o que é muito importante para mudar nossa medida em relação a um maior potencial próprio do passado, que atualmente deve ser acompanhado por outras equipes de colaboração e diferentes modos de gestão. Somos poucos, mas com a capacidade de juntar-nos a muitos colaboradores e colaboradores entre os quais nos contamos. Desejamos estar presentes, neste futuro imediato, providos de uma opção preferencial pelos pobres e excluídos, alegres porque encontramos consolo na escuta do Espírito, fortalecidos pela união de ânimos em nossas comunidades, que serão mais fraternas e células vivas de uma comunidade maior, a Companhia Universal, imenso lar onde discernimos compartilhando nossa vida, nossa fé e nossa missão.

A Missão é nossa vida e se trata de uma gestão apostólica onde há que tomar decisões com relação a obras e pessoas, não nos identificando com o modo de agir de empresa, e entendendo seu âmbito dentro das coordenadas que a graça respeita e se fundamenta na natureza de cada um.

 

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