Quanto mais e maior bem poderíamos fazer os jesuítas se pudéssemos pensar e atuar como um único corpo apostólico!

Publicado: Sexta, 03 Mai 2019
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O que acontece com os jesuítas que em muitas ocasiões temos uma grande vontade - e não sem frequência a capacidade - para colaborar e trabalhar com os outros, especialmente leigos e leigas, mas ao mesmo tempo demonstramos tão pouca capacidade para nos interessar e nos envolver em iniciativas comuns?

Não há dúvida que não é correto generalizar; e que, muito provavelmente, os colegas que se interessem por ler este texto e compartilhar minhas reflexões vivem não apenas preocupados com essa situação, mas também se esforçam para mudar pessoal e comunitariamente. Também não tenho dúvidas que muitos leigos e leigas, religiosos e religiosas (sacerdotes) e outras pessoas não-crentes que se unem à nossa missão percebem clareza e não sem espanto - e às vezes com escândalo - essa realidade.

Estou ciente que este problema não é, tampouco, um patrimônio jesuíta. Não é raro que nós católicos somos luz na rua e obscuridade em casa. Respondemos mais natural e facilmente aos padrões individualistas e ´protagonistas´ do que aos convites evangélicos para pensar e agir como um só corpo (1 Cor 12, 14ss); deixamo-nos convencer pelos argumentos mundanos da eficiência, em vez de acreditar e apostar na eficácia do evangelho (a do fermento); confundimos nossa vocação de seguir e servir a Jesus Cristo crucificado com uma função, à qual acabam se impondo – sob as mais refinadas razões possíveis – os interesses pessoais ou institucionais. E cada um acaba trabalhando por seu lado.

Mas quanto mais e quanto maior bem os jesuítas poderíamos fazer se pudéssemos pensar e agir como um único corpo apostólico! Quanto mais e maior seria o impacto de nossas ações se pudéssemos trabalhar juntos, colaborar não apenas com os outros ou abrir-nos para a colaboração dos outros, mas c-o-l-a-b-o-r-a-r entre nós, com uma aceitação humilde de que o bem feito juntos - cordialmente unidos - é bem maior, sem distrair nossas forças e dispersar nossa ação! Muito temos que aprender não só e principalmente do evangelho (fonte original de nossa inspiração diária), mas também de tantas outras iniciativas e organizações que asseguram o corporativo como uma maneira de ser que assegura seus objetivos. Os nossos são infinitamente mais dignos, mais altos, mais santos ... e merecem toda nossa submissão religiosa por causa de Sua Missão (a de Cristo).

A primeira das Preferências Apostólicas promulgadas pelo Padre Geral é um sinal de advertência que nos diz que esta conversão não acontecerá se não vivermos o espírito dos Exercícios e a prática cotidiana do discernimento. Este tempo pascal é a ocasião propícia para nos deixamos questionar por Deus e pela realidade, e abrir nossa maneira de entender e de proceder aos impulsos do Espírito que nos convida a ser um Corpo: a que tem Cristo como Senhor e a nós, todos, chamados a cooperar em Sua missão.

Roberto Jaramillo Bernal, S.J.

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