P. Arturo Sosa, S.J: É o momento de ouvir os jovens

Publicado: Quarta, 14 Março 2018
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Na ocasião dos 450 anos de nascimento de São Luis Gonzaga, no próximo dia 9 de março, o Padre Geral envia esta mensagem para a Universal Companhia de Jesus. Dirigir o olhar para estes jovens jesuítas, "significa retomar a radical entrega da vida a Jesus Cristo para a causa do Evangelho, e aprofundar a nossa integração entre vida e missão. Ainda, supõe crescer em liberdade interior, de modo que possamos fazer do discernimento a maneira de proceder cotidianamente em nosso serviço para a missão de Cristo hoje", afirma no documento que compartilhamos com vocês.

Por convite do Papa Francisco, a Igreja tem este ano sua atenção colocada nos jovens. O Sínodo dos Bispos, em Roma, sobre "os jovens, a fé e o discernimento vocacional", no próximo mês de outubro, e a Jornada Mundial da Juventude, no Panamá, em janeiro de 2019, serão dois momentos significativos nos quais a Igreja quer concentrar o seu olhar na juventude atual para ouvir suas inquietações, sonhos e esperanças, além de se enriquecer com suas alegrias, iniciativas e abertura para a vida.

Precisamente no período de preparação para estes dois encontros, a Companhia celebra simultaneamente os 450 anos de nascimento de São Luis Gonzaga (9 de março de 1568, em Castiglione delle Stiviere) e da morte de São Estanislau de Kostka (15 de agosto de 1568, em Roma). Ambos jovens jesuítas que testemunharam surpreendentes historias de abertura para Deus até o ponto de assumir posicionamentos de contracultura.

Sentindo-se chamados a dar tudo de si, ambos manifestaram uma inequívoca vontade de identificação com o Senhor, respondendo com determinação e entusiasmo à sua vocação e superando os não poucos e árduos obstáculos que se colocaram para a sua entrada na Companhia de Jesus.

Para nós, dirigir o olhar para estes jovens jesuítas proclamados santos em 1726 pela Igreja, significa retomar a radical entrega da vida para Jesus Cristo e para a causa do Evangelho e aprofundar nossa integração entre vida e missão.

Ainda, implica em crescer em liberdade interior, de modo que possamos fazer o discernimento – pessoal e em comum- com o modo de proceder cotidiano em nosso serviço para a missão de Cristo hoje.

Por sua parte, a Santa Sé, considerando o aniversário de nascimento de Luis Gonzaga, proclamou a celebração de um Ano Jubilar Aloisiano a partir de 9 de março próximo até a mesma data de 2019. Como lugares privilegiados de peregrinação foi fixada a Igreja de Santo Inácio em Roma, onde repousam os restos de São Luis, e todos os templos do mundo dedicados a este jovem jesuíta (1) . Quero, como consequência, convidar toda a Companhia, em suas comunidades e instituições –muitas das quais levam o nome de Luis Gonzaga- a encontrar a melhor maneira de celebrar, conforme cada contexto cultural, este tempo de graça, que atrai o nosso olhar sobre a riqueza que representam os jovens para a sociedade, a Igreja para a Companhia. Esta iniciativa nos oferece uma oportunidade única para fazer com que as pessoas conheçam mais sobre a vida deste jovem e santo jesuíta, refletindo e aproveitando destes conhecimentos, como nos aconselha Santo Inácio nos Exercícios Espirituais.

Luis Gonzaga demostrou uma vigorosa personalidade desde muito jovem. Nasceu e cresceu em um contexto familiar cristão, onde se liam cartas escritas pelos missionários jesuítas a partir de lugares longínquos, mas também mundano, repleto de sensualidade, ambição e violência, que prometia um futuro de riqueza, fama e poder.

Não obstante, com uma sólida fé, uma assombrosa liberdade interior e resistindo a pressões de todo tipo, ele procurou guiar-se pela voz do Espírito que ressoava em sua consciência, assumindo o acompanhamento do Senhor como caminho para a sua vida. Como São Estanislau, venceu a resistência de sua família e se entregou integralmente a Deus em uma Companhia de jesus fundada décadas antes.

Luis Gonzaga somente teve tempo de dar-se inteiramente à sua formação; sua entrega a ela justifica que ele seja considerado um exemplo para os jovens jesuítas. Morreu como estudante de teologia, aos 23 anos, ao contrair a doença daqueles que eram excluídos e marginalizados em Roma por causa de uma peste atroz que acabou com metade de sua população. Atendendo-os, arriscou a sua vida, voluntariamente, e chegou ao extremo de entrega-la por eles (cf. Jn 15,13).

Diante de seu testemunho, Bento XIII o proclamou patrono dos jovens em 1729, Pio XI patrono dos estudantes em 1926 e, no quarto centenário de sua morte, João Paulo II o proclamou patrono dos enfermos com HIV, em 1991.

Tenho a convicção de que o Espírito de Deus continua interpelando a partir da fé e do sofrimento dos pobres da Terra sobre muitos jovens. São muitos aqueles que, em todos os países, desejam um mundo sem corrupção, transparente e honesto, onde exista reconhecimento e lugar para todos.

São muitos os jovens que de forma nobre, audaciosa e generosa, desejariam fazer algo pelo bem da humanidade e de seus povos; que gostariam que o sofrimento de tantos possa desaparecer, que se alcance a reconciliação entre pessoas e povos, que se proteja o nosso planeta e que a humanidade se guie por valores transcendentes que deem sentido ao mundo e à história humana.

Frequentemente, porém,  muitos deles não sabem como fazer isso.

É o momento, então, de ouvi-los e perguntar-nos como podemos ajudar os jovens a crescer profundamente em sua fé e no amor a Cristo de modo que possam, com uma coragem semelhante à de Luis Gonzaga, enfrentar os ídolos da cultura dominante.

Ainda assim, considerando que ele morreu servindo não somente aos que estavam adoentados por causa da peste mas também aos que eram abandonados sem esperança pelas ruas da cidade e observados com temor, esta é a ocasião para examinar como podemos, como ministros da reconciliação que Cristo ofereceu à humanidade, ajudar os jovens de hoje para que superem todo tipo de apreensão e de raiva, suscitada politicamente perante quem é diferente ou diante dos “outros”, de modo que possam expressar acolhimento, confiança e compaixão.

Finalmente, sabendo que Luis Gonzaga entendeu a Vida Religiosa como uma inspiradora opção pessoal de entrega da própria vida pelos demais, nos corresponde observar como podemos apresentar aos jovens de hoje a Companhia de Jesus e a Vida Religiosa como uma feliz opção de vida, para servir e dar vida a outras pessoas.

Termino pedindo a Maria, Mãe da Companhia, que nos ajude a obter a graça de saber acompanhar na fé e na vida os jovens que tratamos e que acolhemos em nossas instituições.

Ela, sendo ainda muito jovem (2) no humilde vilarejo de Nazaré, acolheu o chamado de Deus, deixou-se cobrir pela sombra de seu Espírito e aceitou levar em si e encarnar o Filho do Altíssimo para o bem do seu povo e de todas as gerações futuras.

Queira Deus que nosso serviço aos jovens de hoje seja, como no caso de Luis Gonzaga, ajuda-los para que possam “amar e servir em tudo”.

 

Fonte: Jesuitas Colombia 

(1) Como em todo Ano Jubilar, a Santa Sé concede a indulgência plenária a quem celebra este jubileu. As condições para isso são explicadas no decreto Beatissime Pater, Prot. N. 38/18/1.
(2) Veja a Mensagem do Santo Padre na ocasião da  "XXXIII Jornada Mundial  dos Jovens ", que será celebrada em  25 de março de 2018.

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