Mensagem da 39ª Assembleia da CPAL

Publicado: Sexta, 08 Mai 2020
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O P. Geral assegurou que a pandemia do COVID-19 mostrou tanto descuido acumulado por décadas na maneira como os seres humanos temos nos relacionado entre nós, com a natureza e com Deus. A emergência social e sanitária pôs às claras que a pobreza e a miséria, em nossa sociedade em geral e, particularmente, nas nações do chamado Terceiro Mundo, são situações estruturais de longa data; e cujo rumo é preciso corrigir agora. Na nossa avidez de lucro, temos nos deixado absorver pelo material e transtornar pela pressa. Não temos nos detido ante os teus apelos, não temos nos despertado face a guerras e injustiças do mundo, não temos ouvido o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Continuamos imperturbáveis, pensando em nos manter sempre sadios num mundo enfermo (Papa Francisco: Momento Extraorodinário de Oração em tempo de pandemia, 27/03/20).

A ameaça é comum e é por isso que tem suscitado tanto interesse, mas a verdade é que neste barco comum que é a humanidade, uns viajam na primeira classe, enquanto outros viajam amontados nos porões. Alguns desfrutam das comodidades dos serviços do convés, enquanto outros sobrevivem ou morrem e são jogados às garras da tempestade.

Nós, jesuítas, temos que reconhecer com humildade que não temos apostado toda a nossa sorte com os pobres, e que essa realidade nos interpela a partir do Evangelho, a boa nova de Jesus, e nos chama não apenas a ser solidários, mas a questionar nosso lugar social nesta tempestade. Faz muito sentido cuidar da vida dos descartados, multiplicados exponencialmente nesta pandemia, como consequência das estruturas injustas do nosso mundo, incapazes de colocar os seres humanos e o bem comum no centro das decisões políticas locais, nacionais ou globais. Nunca devemos nos esquecer que a amizade com os pobres nos torna amigos do Rei Eterno (Inácio aos Padres e Irmãos de Pádua, 1547). São os pobres que nos forçam a voltar sem cessar ao que é essencial no Evangelho, ao que realmente dá vida (C.G. 36, d.1, 15).

É por isso que um primeiro pensamento e sentimento de solidariedade sincera é com as vítimas: os mortos, os vulneráveis, os mais pobres, os povos indígenas, as comunidades afrodescendentes, os migrantes, os doentes em hospitais públicos, os idosos, os homens e mulheres (inúmeras famílias) que vivem de ajuda ou do trabalho diário. Com o coração voltado para eles, convidamos nossos companheiros jesuítas a perguntar-nos diante do Cristo pregado na cruz, a cruz da pandemia: O que eu fiz por Cristo? O que eu faço por Cristo? O que eu quero fazer por Cristo? Se desta pandemia mais da metade da humanidade sai empobrecida e fragilizada, e nós, por nossa parte, saímos ilesos, teremos então que nos perguntar com sinceridade: De quem somos companheiros? Qual é o Cristo que estamos seguindo?

No contexto desta crise mundial, reunimo-nos virtualmente os 13 Provinciais da CPAL, quatro Superiores Regionais ou de seção sempre convidados (Jamaica-Guiana, Amazônia/BRA, Cuba e Haiti), os dois Assistentes do P. Geral para a América Latina. e o Caribe e a Equipe Central da CPAL, para conversar e discernir juntos, principalmente, sobre a situação atual de cada Província e de nossa Conferência, revisar a marcha tanto do processo de avaliação dos CIF como do processo de avaliação do PAC e o planejamento do PAC 2 (PEPPAC) e avaliar o desempenho da Equipe Central da CPAL.

O contexto atual da pandemia será um desafio para a formação: estudo contextualizado, olhar discernidor, formação integrada com o mundo real em conexão com os pobres, aprendizagem reflexiva e crítica para contribuir com a transformação do mundo. Para estes últimos temas nos acompanharam o P. Mark Ravizza, Conselheiro do P. Geral para a Formação, P. Segundo Rafael Pérez, e o Dr. Carlos Ernesto Pérez, respectivamente secretário executivo e consultor metodológico e técnico do PEPPAC. Dedicamos também um tempo para a eleição do vice-presidente, P. Rafael Velasco e dos três conselheiros da CPAL: PP. Gabriel Roblero, Gustavo Calderón e Luis Gerardo Moro, além de vários assuntos práticos e decisões que correspondem às nossas assembleias.

Conscientes de que a realidade atual vai gerar grandes desafios para a Companhia de Jesus na América Latina, queremos incidir na formação das pessoas, na consolidação dos processos e redes e, sobretudo, na reestruturação social e reconstrução de nossos diversos países.

Como afirmou o P. Geral, esta crise nos mostra um caminho para Deus: somos uma única humanidade, é importante cuidar-nos e atender os demais, sejamos generosos e solidários com os mais necessitados. Agora é quando temos a oportunidade de colocar-nos realmente a ouvir e discernir os sinais, não sozinhos, mas como Companhia. Mais que nunca, necessitamos uns dos outros. As palavras de Santo Inácio ao enviar São Francisco Xavier ao Extremo Oriente: Vá e inflama todas as coisas, adquirem relevância para o jesuíta de hoje; o mundo espera algo de nós e queremos oferecer um novo rosto ao mundo.

Por fim, queremos agradecer aos PP. José Francisco Magaña, João Renato Eidt e Rolando Alvarado, que se despediram como membros da CPAL e, em breve o farão os PP. Carlos Eduardo Correa, Javier Vidal Gonzáles e Juan Carlos Morante. Com igual satisfação e agradecimento, damos as boas-vindas aos novos provinciais: José Domingo Cuesta, Luis Gerardo Moro e Mieczyslaw Smyda.

 

(08/05/20)

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