Formar-se é Transfigurar-se. Por: Jaldemir Vitório S.J.

Publicado: Jueves, 25 Octubre 2018
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Inspiração evangélica para a Vida Religiosa Consagrada

Texto publicado na revista Convergência, Brasília, v. 52, nº 505, Setembro 2017, p. 38-53.

Publicado em CPAL com permiso del autor.

Pe. Jaldemir Vitório SJ[1]

 

Formar-se é um enorme desafio para todo ser humano. Deus cumula de talentos seus filhos e suas filhas e coloca em suas mãos a tarefa de fazê-los desenvolver e frutificar. Uma coisa é certa: mesmo a pessoa mais agraciada de dons, se não investe, com afinco, na própria formação, jamais superará o nível da mediocridade. A vocação cristã interpela-nos a crescer, colocando os dons recebidos a serviço do próximo. Quanto mais se tornar servidora, com criatividade e generosidade, tanto mais a pessoa crescerá. Este é o caminho cristão da transfiguração, em cujo pano de fundo está o amor que se radicaliza, sempre mais, fazendo-nos semelhantes ao Deus-amor (1Jo 4,16). São muitos os caminhos possíveis de serem trilhados na contínua aventura de se transfigurar no processo de se formar.

Essa realidade tem muito a ver com a Vida Religiosa Consagrada (VRC)[2]. Quem possui, de verdade, tal vocação, empenha-se de corpo e alma na dinâmica da formação inicial e permanente, descortinando um horizonte amplo de possibilidades de crescimento e de se tornar mediação valiosa da misericórdia divina para a humanidade. Os religiosos sem carisma são desinteressados pela formação, desconhecendo-lhe a importância, já nos primeiros passos da caminhada.

Um fenômeno persistente na VRC, porém, inaceitável, é o fato de religiosos passarem pelo processo de formação inicial, sem qualquer resultado prático na construção da identidade de consagrados, e assim continuarem a caminhada, por longos anos. Como se explica que um religioso, depois de décadas numa Congregação, tenha o mesmo grau de maturidade que se pode compreender em um aspirante ou postulante, prestes a ingressar no noviciado? Isso se percebe no caráter complicado da pessoa, quando não insuportável, na incapacidade de assumir, com maturidade, uma missão, pois não se adapta a nada que se lhe confia, na inércia, na carência de imaginação, na baixa autoestima, na exigência do bom e do melhor, nas reclamações contínuas, na culpabilização dos outros, acusados de serem causa de seus problemas. A lista dos sintomas de imaturidade de religiosos veteranos é infinda.

O objetivo desse texto é mostrar como o processo formativo, na VRC, quando bem conduzido e vivido, introduz o religioso numa dinâmica de transfiguração, cujo ideal a ser alcançado, nas palavras do Evangelho é: “Sedes perfeitos, como o Pai do Céu é perfeito” (Mt 5,48); “Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Sem transfiguração, não haverá formação! A transfiguração, por sua vez, é perceptível na vida comunitária, na inserção missionária, no empenho por crescer na perspectiva da gratuidade, na busca de ser mais para servir e doar-se mais.

O primeiro passo consistirá em esboçar os indícios do fracasso da formação transfiguradora, num sobrevoo incompleto sobre o cenário atual da VRC. O segundo passo mostrará como a condução do processo de formação é marcada por empecilhos para que a transfiguração aconteça. O terceiro passo refletirá o tema da descristianização da VRC, sério impedimento para o processo de formação transfiguradora. O quarto ponto indicará alguns itens a serem trabalhados, desde o início do processo formativo, em vista de se obter a transfiguração desejada. O quinto ponto será uma leitura de Lc 9,28-36, na perspectiva da formação transfiguradora na VRC.

A contínua transfiguração, na dinâmica da formação na VRC, é mistério da graça divina e da liberdade humana. O simples esforço de colocar todos os ingredientes que possibilitem uma formação adequada, capaz de transfigurar o formando, pode, em longo prazo, mostrar-se ineficaz, se não houver empenho pessoal do religioso. Em última análise, está nas mãos do formando e do veterano transfigurar-se no largo processo de formação na VRC, que só se conclui com a morte. Sem uma decisiva ação da liberdade, movida pelo bom Espírito de Deus, a formação estará fadada ao fracasso, com a possibilidade de haver uma transfiguração ao revés.

Para ler completo, clique aqui.

 

[1] Jaldemir Vitório é presbítero jesuíta e professor de Sagrada Escritura na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE, em Belo Horizonte-MG. E-mail: Esta dirección de correo electrónico está siendo protegida contra los robots de spam. Necesita tener JavaScript habilitado para poder verlo. 

[2] Esse texto foi escrito pensando nas religiosas e nos religiosos. Pelo fato de ser usada a forma masculina, peço às religiosas que o leiam fazendo a devida transposição de gênero.

 

 

 

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